A confirmação de que a direção nacional do PT apoiará uma candidatura própria de Felipe Camarão ao governo do Maranhão não foi bem recebida por lideranças do partido no estado.
Com a exceção de alguns presidentes municipais, ninguém no PT maranhense está entusiasmado com uma chapa encabeçada pelo vice-governador. A avaliação foi feita à coluna por um alto dirigente do partido, ouvido sob a condição de anonimato.
“Além de alguns presidentes municipais que são muito românticos, ninguém do PT está [entusiasmado]”, afirmou o dirigente.
A leitura interna é de que o caminho escolhido, que dificulta uma pactuação com o governo estadual, prejudica a campanha de Lula no Maranhão e atrapalha os planos do partido de eleger ao menos dois nomes para a Assembleia Legislativa.
Também incomoda parte da legenda o fato de o próprio vice-governador não demonstrar muito entusiasmo com a candidatura.
“Ele nitidamente não quer ser candidato a governador, mas a corda esticou demais”, avaliou o dirigente petista.
Procurado pela coluna, Felipe Camarão não respondeu. À comissão estadual, ele disse que assume a missão de concorrer ao governo com “honra e entusiasmo”.
No início do mês, em encontro com eleitores em uma hamburgueria da capital, o vice-governador falou que gostaria de fechar um acordo com o ex-prefeito Eduardo Braide (PSD) ainda no primeiro turno.
Em declaração recente ao jornal O Globo, Camarão voltou a tocar no assunto e disse estar “francamente aberto para uma composição com Braide já no primeiro turno”. O vice-governador deixou claro que não teria problemas em abrir mão de encabeçar a chapa para concorrer ao Senado ao lado de Eduardo Braide.
“Cogito ser candidato ao Senado, [pelo fato de] a Casa Legislativa ser a prioridade do PT e do Lula nesta eleição”, disse Camarão.
Para Braide, tudo é possível. Questionado sobre o assunto em entrevista à TV Meio Norte, de Teresina, o ex-prefeito afirmou que “não fecha as portas para ninguém” e que não tem problema em conversar “com quem quer que seja”.
