Às vésperas do prazo de desincompatibilização, que se encerra em 4 de abril, o Maranhão vive um cenário incomum: há, simultaneamente, pedidos de afastamento do governador Carlos Brandão (sem partido) e do vice-governador Felipe Camarão (PT), em processos distintos que avançam em esferas diferentes do Judiciário.
No caso de Brandão, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), deve decidir nos próximos dias sobre um pedido que pode levar ao afastamento do governador por suposto descumprimento de decisões da Corte em casos de nepotismo, o que ele nega.
A ação foi apresentada pelo partido Solidariedade e sustenta que pessoas afastadas por determinação judicial continuaram atuando, na prática, em funções públicas no governo estadual.
Entre os casos citados está o de Marcus Brandão, irmão do governador, além de pessoas ligadas à família, como o marido de uma sobrinha, que, segundo os autos, teriam mantido atuação em agendas, reuniões e atos administrativos mesmo após exonerações.
Já no caso do vice-governador Felipe Camarão (PT), o pedido de afastamento foi apresentado pelo procurador-geral de Justiça do Maranhão, Danilo José de Castro Ferreira, ao Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA).
A solicitação ocorre no âmbito de uma investigação que apura indícios de lavagem de dinheiro e movimentações financeiras consideradas atípicas. Até o momento, não há decisão da Justiça sobre o pedido.
De acordo com o Ministério Público, a apuração teve origem em relatórios de inteligência financeira e avançou com a análise de dados bancários e comunicações. O órgão aponta a existência de movimentações incompatíveis com a renda dos investigados, incluindo depósitos sem identificação de origem, operações fracionadas e repasses entre pessoas próximas ao vice-governador.
Segundo o pedido, a conta principal de Camarão teria registrado cerca de R$ 4,6 milhões em créditos além do salário, além de centenas de depósitos sem origem identificada e valores fragmentados que, para o Ministério Público, indicariam possível tentativa de ocultação de recursos.
Tanto o governador Carlos Brandão quanto o vice-governador Felipe Camarão afirmam que os pedidos de afastamento têm motivação política. No caso de Camarão, o episódio ainda se desdobra na Assembleia Legislativa do Maranhão, onde há a possibilidade de abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar os fatos.
A coincidência temporal dos dois pedidos — ambos envolvendo os principais nomes da linha sucessória do estado — adiciona um novo grau de incerteza ao cenário político maranhense e indica que, até outubro, muita coisa ainda pode acontecer.
