O procurador-geral de Justiça do Maranhão, Danilo José de Castro Ferreira, pediu ao Tribunal de Justiça (TJMA) o afastamento do vice-governador Felipe Camarão (PT), no âmbito de uma investigação que apura indícios de lavagem de dinheiro e de movimentação financeira atípica.
O Observador Maranhense teve acesso ao pedido, que também inclui dois policiais militares ligados ao Gabinete Militar do governo estadual. Até o momento, não há decisão da Justiça sobre a solicitação.
No documento, o procurador-geral sustenta que há indícios de um circuito financeiro irregular, com movimentações incompatíveis com a renda dos investigados, além de operações fracionadas e repasses entre pessoas próximas ao vice-governador.
A investigação, segundo o Ministério Público, teve origem em relatórios de inteligência financeira e avançou com a análise de dados bancários e comunicações. De acordo com o documento, a conta principal de Felipe Camarão registrou cerca de R$ 4,6 milhões em créditos além do salário, além de 230 depósitos sem identificação de origem e aproximadamente R$ 360 mil em depósitos fracionados. Para o procurador-geral, esse padrão é compatível com práticas de ocultação de recursos.
O chefe do MP afirma ainda que parte dessas operações teria sido realizada por pessoas próximas aos investigados e que há elementos que indicariam o pagamento de despesas pessoais com recursos de origem suspeita. Para o órgão, Felipe Camarão aparece como beneficiário central desse fluxo financeiro.
Em nota divulgada nesta sexta-feira (20), o Ministério Público confirmou que encaminhou ofício ao Tribunal de Justiça solicitando a adoção de medidas no caso e informou que também pediu a apuração sobre o vazamento de informações protegidas por sigilo judicial.
Segundo o órgão, a investigação tramita há mais de um ano e, até o momento, o conteúdo do processo e a documentação que o acompanha não são de domínio público.
Procurado pela reportagem, Felipe Camarão não respondeu. Pelas redes sociais, o vice-governador disse que recebeu “com indignação” o que classificou como um “vazamento criminoso” e afirmou que o caso representa um “faroeste político”. Na mesma manifestação, Camarão levantou suspeitas sobre a relação entre o procurador-geral de Justiça e Marcus Brandão, irmão do governador Carlos Brandão (sem partido), e indicou possível interferência política no episódio.
Íntegra da manifestação do vice-governador
“Recebo com indignação o vazamento criminoso de suposto pedido de afastamento do meu mandato, fundado em processo sigiloso ao qual jamais tive acesso ou ciência. Trata-se de uso indevido de dados protegidos, com clara finalidade de exposição seletiva e constrangimento público.
O que está em curso não é investigação legítima, mas vazamento direcionado com objetivo eleitoreiro, à margem da legalidade.
Causa ainda mais estranheza a proximidade entre o Procurador-Geral de Justiça e o Sr. Marcus Brandão, irmão do Governador, relação que precisa ser esclarecida à sociedade.
Para investigar possível aparelhamento de um órgão respeitável como a Procuradoria-Geral de Justiça, entrei com as medidas judiciais cabíveis. A sociedade maranhense exige respostas sobre a condução de casos sensíveis, sobre eventuais vínculos políticos incompatíveis com a independência funcional e sobre fatos maculam a confiança interna do próprio Ministério Público.
Diante da gravidade dos fatos, levarei o caso ao Conselho Nacional do Ministério Público. Confio na Justiça e não aceitarei perseguição política travestida de atuação institucional.
Minha trajetória pública ilibada de mais de 25 anos não será manchada por esse tipo de prática. O Maranhão não pode retroceder a um tempo em que instituições eram aparelhadas para fins de pressão política.”
