A sessão da CPMI do INSS prevista para esta segunda-feira (9) foi cancelada após o deputado estadual licenciado Edson Araújo apresentar atestado médico e ter o depoimento adiado. A decisão foi comunicada pelo presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), que informou a necessidade de remarcação das oitivas.
A Junta Médica do Senado considerou que o parlamentar reúne condições clínicas para prestar depoimento, mas recomendou que ele não realizasse deslocamento até Brasília neste momento, em razão de cirurgia recente. Diante da orientação médica, a CPMI decidiu adiar a oitiva para data a ser definida.
O adiamento provocou reação do deputado federal Duarte Jr. (PSB), vice-presidente da CPMI do INSS, que criticou a ausência de Edson Araújo.
“Quando é para roubar aposentados, burlar a Previdência brasileira e conceder seguro-defeso a quem não tem direito, são cheios de saúde. Mas, quando chega a hora de enfrentar a Justiça e a verdade na CPMI, surgem atestados médicos e alegações de doença. Um absurdo! A reunião de hoje na CPMI do INSS foi adiada porque os dois depoentes disseram estar doentes. De fato, a verdade faz mal para quem deve explicações ao Brasil. Podem até tentar atrasar, mas a Justiça não falha”, disse.
Relembre
Edson Araújo é investigado pela Polícia Federal na Operação Sem Desconto, que apura um esquema de descontos irregulares em benefícios do INSS, envolvendo associações e entidades de representação de trabalhadores.
No âmbito da CPMI, já foram aprovadas a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático do deputado. Segundo Duarte Jr., análises preliminares indicaram que Edson Araújo recebeu R$ 54,9 milhões em apenas um mês, em junho de 2024, além de outras movimentações posteriores que, somadas, ultrapassariam R$ 70 milhões.
O deputado maranhense também já foi alvo de mandado de busca e apreensão, teve dinheiro em espécie apreendido e passou a utilizar tornozeleira eletrônica por determinação judicial. O caso ganhou repercussão política após Duarte Jr. relatar ter sido ameaçado por Edson Araújo depois de cobrar explicações sobre essas movimentações, episódio que levou ao registro de ocorrência na Polícia Legislativa da Câmara dos Deputados.
