O vice-governador Felipe Camarão (PT) ainda acredita na possibilidade de um entendimento com o governador Carlos Brandão (sem partido) que lhe permita assumir o comando do Estado em abril e disputar a reeleição em outubro com apoio tanto de aliados do grupo dinista quanto de integrantes da base brandonista.
Na última segunda-feira (2), a pedido de Camarão, a presidente estadual em exercício do PT, Patrícia Carlos Macieira, conversou por telefone com Brandão para apresentar uma proposta formulada pelo vice-governador com o objetivo de “pacificar” os dois grupos políticos.
Pela proposta, Brandão renunciaria em abril para disputar o Senado, abrindo o caminho para que Camarão assumisse o Palácio dos Leões. Em contrapartida, Brandão indicaria o candidato a vice-governador na chapa e manteria influência sobre o comando de algumas secretarias consideradas estratégicas.
A proposta foi recusada pelo governador.
“O retorno [do governador] foi bem simples: não há mais confiança”, afirma uma fonte do diretório estadual do PT ouvida sob reserva pelo Observador.
Apesar da troca pública de farpas entre os dois grupos, Camarão voltou a acreditar na possibilidade de acordo com Brandão após o diretório nacional do PT sinalizar que não apoiará a candidatura do secretário Orleans Brandão (Assuntos Municipalistas) ao Palácio dos Leões.
Para Carlos Brandão, porém, o rompimento parece irreversível. Ainda que não consiga o apoio do presidente Lula, o governador pretende permanecer no cargo e bancar a candidatura do sobrinho. Nesse cenário, Brandão negociará a neutralidade do presidente no Estado.
