Caso se desligue da prefeitura em abril para concorrer ao governo do estado, como tudo indica que deve ocorrer, o prefeito Eduardo Braide (PSD) deixará em aberto dois temas espinhosos para a sua gestão: o passe-livre estudantil e a nova licitação do transporte público.
Sobre a gratuidade para estudantes no transporte, proposta aprovada em consulta pública por 89,9% dos eleitores ludovicenses em 2024, Braide nunca chegou a se manifestar publicamente. O prefeito tem optado por ignorar o assunto – sobretudo nas redes – para não comprometer a sua imagem de político resolutivo. Quando provocado, deixa para seus auxiliares o papel de comunicar a sua falta de interesse em tratar do assunto.
Em novembro, coube ao secretário-adjunto de Orçamento e Planejamento, Tiago Martins, informar que não haveria espaço para o programa no Orçamento de 2026 – previsto em R$ 6,031 bilhões.
Transporte
Prometida em fevereiro do ano passado, em meio a uma greve de rodoviários particularmente problemática para o prefeito, a nova licitação do transporte público da capital também segue uma incógnita.
Embora tenha garantido que São Luís nunca mais seria “refém dos empresários de ônibus”, a gestão Braide até agora não conseguiu avançar no processo da nova licitação.
Para o diretor executivo do Sindicato das Empresas de Transporte (SET), Paulo Pires, o motivo é a desconfiança das empresas com a administração pública. “Empresa séria não vem, porque não há cumprimento de contrato. Não adianta fazer nova licitação. Se não cumprir contrato, não vem ninguém”, afirmou o representante das empresas de ônibus em audiência pública realizada em novembro passado, período em que a cidade enfrentava mais uma greve de rodoviários.
O diretor do SET disse ainda que “o prefeito rodou o Brasil inteiro” atrás de empresas dispostas a operar o sistema de transporte da capital, mas não encontrou interessados. “A insegurança jurídica que foi causada aqui em São Luís afastou qualquer operador sério.”
A prefeitura não comentou as afirmações.
Faltando pouco mais de dois meses para o prazo de desincompatibilização, é improvável que o prefeito de São Luís mude de postura em relação aos dois temas – que são espinhosos, mas não ao ponto de lhe arrancarem o sono, já que só raramente suscitam cobranças mais enérgicas do eleitorado da capital.
Resta saber se a vice-prefeita Esmênia Miranda, que pode herdar a prefeitura, terá o mesmo jogo de cintura. É necessária uma boa dose de talento para ignorar pautas tão populares sem sofrer qualquer arranhão de imagem.
