ÁUDIO: Prefeito de Turilândia disse que iria “furar a bolha” e ser destaque no Maranhão após primeira fase da Operação Tântalo

COLUNA | DANIEL MORAES — 21/01/2026

Pouco depois da deflagração da primeira fase da Operação Tântalo, em fevereiro de 2025, o prefeito de Turilândia, Paulo Curió (União Brasil), enviou um áudio a secretários municipais no qual afirmou que o grupo político do município iria “furar a bolha de Turilândia” e se tornar “destaque no Maranhão inteiro”. (Ouça o áudio no fim da matéria)

A gravação foi encaminhada à cúpula administrativa da Prefeitura no mesmo dia da operação. No áudio, o prefeito trata a ação do Grupo Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), do Ministério Público do Maranhão, como resultado de perseguição política e convoca os secretários a manterem o funcionamento das repartições públicas, afirmando que não podiam “abaixar a cabeça de maneira nenhuma”.

Ao longo da mensagem, Paulo Curió sustenta que as acusações ainda precisariam ser comprovadas e afirma que todos teriam direito à ampla defesa. Em seguida, amplia o discurso para o campo político e questiona se apenas “um grupo seleto” poderia se destacar no cenário estadual.

“Quer dizer que ninguém pode se destacar na política do Maranhão? (…) Nós vamos furar essa bolha de Turilândia e ser destaque no Maranhão inteiro”, diz o prefeito.

Naquele momento, a Operação Tântalo ainda estava em sua fase inicial. Meses depois, a investigação avançaria para uma segunda etapa, com a prisão do prefeito, da primeira-dama, da vice-prefeita, da ex-vice-prefeita e de todos os vereadores do município, além de empresários e familiares apontados como integrantes do esquema. As apurações indicaram a existência de uma estrutura organizada para o desvio sistemático de recursos públicos.

Nesta semana, Paulo Curió, que está preso desde dezembro, foi formalmente denunciado pelo Ministério Público do Maranhão, que o aponta como líder de uma organização criminosa instalada simultaneamente na Prefeitura e na Câmara Municipal de Turilândia. Segundo a denúncia, o esquema teria causado prejuízo estimado em R$ 56,3 milhões aos cofres públicos.

O escândalo ganhou repercussão nacional, com sucessivos desdobramentos no Judiciário, incluindo pedidos de intervenção no município e decisões do Tribunal de Justiça do Maranhão sobre a condução das investigações.

Ouça o áudio:

Avatar photo
Sobre o autor

Daniel Moraes

Jornalista, fundador e editor-chefe do jornal digital O Observador Maranhense.

Inscrever-se
Notificar de
guest
0 Comentários
mais antigos
mais recentes Mais votado
Feedbacks embutidos
Ver todos os comentários