Mensagens apreendidas pela Polícia Federal indicam que Gustavo Gaspar, ex-assessor do senador Weverton Rocha (PDT-MA), teria recebido dinheiro em espécie do empresário Antônio Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. Os diálogos fazem parte da investigação que apura um esquema milionário de desvios em aposentadorias e foram enviados ao Supremo Tribunal Federal (STF).
De acordo com a Polícia Federal, o conteúdo foi extraído do telefone celular de Antunes e revela o uso de linguagem cifrada para tratar da entrega de valores em dinheiro. Termos como “encomenda” e “impressões” eram usados, segundo os investigadores, para se referir a pagamentos em espécie destinados ao então assessor do senador.

As conversas foram encaminhadas ao ministro André Mendonça, que decretou a prisão preventiva de Gustavo Gaspar, cumprida em dezembro, durante a última fase da Operação Sem Desconto. Em um dos episódios analisados, a PF aponta que, no dia seguinte a uma troca de mensagens sobre a “encomenda”, houve um saque de R$ 40 mil em dinheiro vivo de uma das empresas ligadas ao Careca do INSS, reforçando a suspeita de que o diálogo tratava de pagamento em espécie.
Na representação enviada ao STF, a Polícia Federal sustenta que Weverton Rocha atuaria como “sustentáculo político” do esquema, o que explicaria, segundo os investigadores, o repasse de vantagens indevidas a assessores ligados ao senador. Em outras mensagens, funcionários do empresário se referem a Weverton como “parceiro”.
Procurado, o senador negou as acusações e classificou as conclusões da Polícia Federal como “descabidas”. Weverton citou parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR), segundo o qual as suspeitas em relação a ele estariam baseadas em inferências ainda não consolidadas, e afirmou que eventuais condutas de assessores não o responsabilizam diretamente.
A defesa de Gustavo Gaspar também negou as acusações e afirmou que apresentará esclarecimentos no momento oportuno, destacando que, até agora, o ex-assessor não teria sido intimado para prestar depoimento à Polícia Federal.
A PF afirma ainda que as tratativas analisadas indicam movimentação financeira paralela e possível tentativa de ocultação da origem dos recursos, com indícios de pagamento de vantagem indevida. A investigação segue em andamento no Supremo Tribunal Federal.
