Deputados federais e senadores do Maranhão destinaram R$ 306.902.772,90 em emendas Pix ao longo de 2025, segundo levantamento exclusivo do Observador Maranhense, elaborado com base em dados oficiais do Portal da Transparência do governo federal.
O valor corresponde às chamadas transferências especiais, modalidade de emenda individual que permite o repasse direto de recursos a estados e municípios, sem vinculação prévia a projetos específicos. O levantamento considera apenas os valores efetivamente pagos em 2025, excluindo emendas com destinação obrigatória a áreas específicas, como saúde e educação.
Deputados
Do total movimentado pela bancada maranhense, R$ 250.001.816,04 foram destinados por deputados federais, que respondem pela maior parte das emendas Pix liberadas no estado em 2025.
No topo do ranking aparecem Detinha (PL) e Duarte Jr. (PSB), ambos com R$ 18.451.612,08 pagos ao longo do ano, configurando empate na primeira colocação entre os parlamentares que mais utilizaram esse tipo de emenda.
Logo em seguida, na terceira posição, aparece Roseana Sarney (MDB), com R$ 18.451.605,15. Em fevereiro de 2025, a parlamentar solicitou licença do mandato para tratamento de um câncer, sendo substituída na Câmara pelo suplente Hildo Rocha. Os valores atribuídos a Roseana no ranking correspondem às emendas pix de sua autoria, registradas e pagas antes do afastamento.
Na sequência, figuram Fábio Macêdo (Podemos), com R$ 17.933.931,18, e Pedro Lucas Fernandes (União Brasil), com R$ 17.683.385,94, completando o grupo dos cinco deputados que mais direcionaram recursos por meio de transferências especiais em 2025.
Senadores
Além dos deputados, os senadores maranhenses responderam por R$ 56.900.956,86 em emendas pix efetivamente pagas em 2025.
A liderança entre os senadores é de Eliziane Gama (PSD), com R$ 29.769.158,43 em transferências especiais pagas no período. Em seguida aparece Ana Paula Lobato (PSB), com R$ 27.131.798,43.
Já o senador Weverton Rocha (PDT) não teve valores pagos em 2025 classificados como transferências especiais sem destinação obrigatória, motivo pelo qual aparece com R$ 0,00 no ranking específico de emendas pix.
Os deputados do Maranhão que mais usaram emendas pix em 2025
Transferências Especiais (Ação 0EC2) — critério: valor pago
| Pos. | Deputado(a) | Partido | Valor pago (R$) |
|---|---|---|---|
| 1º | Detinha empate | PL | 18.451.612,08 |
| 1º | Duarte Jr. empate | PSB | 18.451.612,08 |
| 3º | Roseana Sarney | MDB | 18.451.605,15 |
| 4º | Fábio Macêdo | Podemos | 17.933.931,18 |
| 5º | Pedro Lucas Fernandes | União Brasil | 17.683.385,94 |
| 6º | Junior Lourenço empate | PL | 17.461.612,08 |
| 6º | Pastor Gil empate | PL | 17.461.612,08 |
| 8º | Márcio Honaiser | PDT | 17.202.225,15 |
| 9º | Cleber Verde | MDB | 16.580.505,15 |
| 10º | André Fufuca | PP | 14.760.900,00 |
| 11º | Marreca Filho | Patriota | 14.727.225,15 |
| 12º | Josivaldo JP | PSD | 13.959.000,00 |
| 13º | Rubens Pereira Júnior | PT | 13.711.590,00 |
| 14º | Josimar Maranhãozinho | PL | 13.365.000,00 |
| 15º | Márcio Jerry | PCdoB | 9.900.000,00 |
| 16º | Amanda Gentil | PP | 9.207.000,00 |
| 17º | Aluísio Mendes | Republicanos | 693.000,00 |
Senadores do Maranhão por uso de emendas pix em 2025
Transferências Especiais (Ação 0EC2) — critério: valor pago
| Pos. | Senador(a) | Partido | Valor pago (R$) |
|---|---|---|---|
| 1º | Eliziane Gama | PSD | 29.769.158,43 |
| 2º | Ana Paula Lobato | PSB | 27.131.798,43 |
| 3º | Weverton Rocha | PDT | 0,00 |
Controvérsia
As emendas Pix estão no centro de uma controvérsia jurídica desde 2024. Naquele ano, o Supremo Tribunal Federal determinou a suspensão temporária da execução dessa modalidade, ao avaliar que o modelo carecia de mecanismos adequados de transparência, rastreabilidade e controle na destinação dos recursos públicos.
Após a decisão, o Congresso Nacional aprovou mudanças para disciplinar as transferências especiais, estabelecendo exigências adicionais, como a apresentação de planos de trabalho e maior fiscalização pelos órgãos de controle. Com isso, os repasses passaram a ocorrer de forma condicionada, e não mais automática.
Apesar das alterações, o modelo segue sob monitoramento do Judiciário e de órgãos de controle, como o Tribunal de Contas da União, sobretudo em razão das dificuldades de acompanhamento detalhado sobre a aplicação final dos recursos por estados e municípios beneficiados.
