Projeto cria marco legal para ferrovias de cargas e passageiros no Maranhão

Por Maria Clara Monteiro | 04/01/2026

Tramita na Assembleia Legislativa do Maranhão um projeto de lei que cria um marco legal estadual para o transporte ferroviário de cargas e passageiros. A proposta estabelece regras para o uso da infraestrutura ferroviária, define modelos de exploração e organiza o setor no âmbito do Maranhão.

O projeto é de autoria do deputado Neto Evangelista (União Brasil) e institui o Subsistema Ferroviário do Estado do Maranhão (SFE/MA), alinhado às diretrizes do Sistema Nacional de Viação e à legislação federal que trata do regime de autorizações ferroviárias.

Pelo texto, o subsistema passa a reunir ferrovias existentes e planejadas, além de pátios, terminais, oficinas e demais estruturas sob competência estadual. A intenção, de acordo com o parlamentar, é dar segurança jurídica aos investimentos, estimular a expansão da malha ferroviária e integrar o modal a rodovias, portos e hidrovias.

Deputado estadual Neto Evangelista (União Brasil) é o autor da proposta. Foto: Reprodução / Alema.

Cargas, passageiros e integração logística

O projeto prevê que as ferrovias poderão operar no transporte de cargas, de passageiros ou de forma mista. Entre os objetivos estão a redução de custos logísticos, o aumento da competitividade da produção maranhense, a diminuição da pressão sobre as rodovias e a melhoria da eficiência energética do sistema de transporte.

A proposta também incorpora princípios de sustentabilidade ambiental, ao reconhecer o transporte ferroviário como alternativa menos poluente em comparação ao modal rodoviário.

Exploração pública e privada

O texto define que a exploração das ferrovias poderá ocorrer diretamente pelo Estado ou de forma indireta, por meio de autorizações, concessões ou parcerias público-privadas. No regime privado, empresas autorizadas poderão implantar e operar trechos ferroviários por sua conta e risco, com liberdade tarifária.

Já no regime público, a exploração dependerá de licitação, e os bens deverão reverter ao Estado ao final dos contratos. O projeto prevê ainda mecanismos para evitar práticas anticompetitivas e garantir o acesso à infraestrutura por outros operadores, mediante remuneração.

Investimentos

Os investimentos na implantação, ampliação ou modernização das ferrovias deverão ser, em regra, realizados pelas empresas autorizadas ou concessionárias. Em situações específicas, o Estado poderá aportar recursos, desde que comprovado o interesse público.

A proposta admite, ainda, o uso de créditos de ICMS como instrumento de financiamento, observados critérios de responsabilidade fiscal e transparência.

O que muda na prática

Se o projeto for aprovado, o Maranhão passará a ter regras próprias para organizar e expandir o transporte ferroviário. Na prática, a proposta:

– cria um marco legal estadual para ferrovias de cargas e passageiros;
– define como a infraestrutura ferroviária poderá ser explorada pelo poder público ou pela iniciativa privada;
– permite a implantação de novos trechos ferroviários por autorizações, concessões ou parcerias;
– estimula a integração das ferrovias com rodovias, portos e hidrovias;
– busca dar segurança jurídica a investidores interessados em projetos ferroviários no estado.

O projeto será analisado pelas comissões temáticas da Assembleia antes de seguir para votação em plenário.

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Maria Clara Monteiro

Redatora, editora de vídeo e social media.

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