Turilândia: o que se sabe sobre o esquema que levou à prisão do prefeito, da vice e de todos os vereadores

Por O Observador Maranhense | 26/12/2025

O prefeito de Turilândia, a vice-prefeita, a primeira-dama, a ex-vice-prefeita e todos os vereadores do município foram presos por suspeita de integrar um esquema milionário de desvio de recursos públicos, segundo investigação do Ministério Público do Maranhão. As prisões ocorreram no âmbito da Operação Tântalo II, deflagrada em dezembro de 2025 como desdobramento de uma ação anterior conduzida pelo GAECO.

De acordo com o MP, o esquema teria funcionado entre 2021 e 2025 e provocado um prejuízo que pode ultrapassar R$ 56 milhões aos cofres públicos. As áreas mais afetadas seriam Saúde e Assistência Social, onde o desvio estimado chega a R$ 43 milhões. A investigação aponta que o grupo atuava de forma organizada e integrada entre Executivo e Legislativo.

A investigação e as decisões judiciais

As medidas foram autorizadas pela 3ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Maranhão, que identificou indícios da prática dos crimes de organização criminosa, fraude em licitações, corrupção ativa e passiva, peculato e lavagem de dinheiro.

Ao todo, foram cumpridos 51 mandados de busca e apreensão e 21 mandados de prisão em cidades como São Luís, Paço do Lumiar, Pinheiro, Santa Helena, Barreirinhas, Vitória do Mearim e São José de Ribamar.

Segundo o MP, a organização criminosa era hierarquizada, com divisão clara de funções. Empresas de fachada eram utilizadas para simular contratos públicos, emitir notas fiscais sem prestação real de serviços e devolver os valores ao núcleo político.

O papel do prefeito

Prefeito Paulo Curió (União Brasil) é apontado como líder da organização criminosa. Foto: Reprodução.

O prefeito Paulo Curió (União Brasil) é apontado como líder da organização criminosa e principal destinatário dos recursos desviados. Conforme a investigação, ele atuava como ordenador de despesas, direcionava licitações e autorizava pagamentos sem comprovação da execução dos serviços.

Inicialmente considerado foragido, o prefeito se entregou à polícia em São Luís dois dias após a deflagração da operação. Após audiência de custódia, a Justiça manteve sua prisão preventiva, e ele foi transferido para o Complexo Penitenciário de Pedrinhas.

Vice-prefeita

Vice-prefeita de Turilândia, Tânia Mendes. Foto: Reprodução.

A vice-prefeita de Turilândia, Tânia Mendes, também teve a prisão preventiva decretada e mantida no âmbito da Operação Tântalo II. Segundo o Ministério Público, ela integraria o núcleo político do esquema investigado, com atuação vinculada à sustentação administrativa e à execução das decisões do Executivo municipal.

A investigação aponta que sua participação se dava de forma alinhada ao comando da organização criminosa, conforme descrito nas decisões judiciais que autorizaram as prisões.

Primeira-dama, ex-vice-prefeita e núcleo empresarial

Primeira-dama, Eva Curío; ex-vice prefeita, Janaina Soares Lima e o marido dela, Marlon Serrão. Foto: Reprodução.

A primeira-dama do município, Eva Curió, também teve a prisão preventiva decretada e mantida. Segundo o MP, ela integraria o núcleo operacional do esquema, participando da movimentação dos recursos desviados.

A ex-vice-prefeita Janaina Soares Lima é apontada como figura central do núcleo empresarial da organização criminosa. De acordo com os autos, ela exerceria controle de fato sobre o Posto Turi, empresa que teria recebido R$ 17.215.000,00 em contratos com o município.

A investigação sustenta que 10% dos valores ficavam retidos para custear despesas pessoais da ex-vice, enquanto os 90% restantes eram repassados ao prefeito ou a pessoas por ele indicadas. O posto também teria sido utilizado para emissão de notas fiscais falsas.

O marido da ex-vice, Marlon Serrão, apontado como operador empresarial, também teve a prisão preventiva mantida.

O operador financeiro

Wandson Barros. Foto: Reprodução.

O contador da prefeitura, Wandson Jhonathan Barros, é descrito pelo MP como o principal operador financeiro do esquema. Ele seria responsável por gerenciar a circulação do dinheiro, distribuir valores entre agentes políticos e empresas, criar empresas de fachada e utilizar laranjas.

Segundo a investigação, Wandson recebia cerca de 3% sobre os contratos fraudados e atuava diretamente na operacionalização dos pagamentos, inclusive redigindo documentos oficiais.

Vereadores e Câmara Municipal

Vice-prefeita e os vereadores de Turilândia. Foto: Reprodução.

A apuração aponta que a Câmara Municipal de Turilândia foi incorporada ao esquema. Os vereadores, segundo o MP, teriam sido cooptados politicamente, recebido pagamentos periódicos, garantido sustentação política ao prefeito e se omitido do dever de fiscalização.

Dos 11 vereadores da legislatura, todos são investigados. Cinco chegaram a ser considerados foragidos, mas se entregaram à polícia em Pinheiro. Para evitar a paralisação completa do município, a Justiça substituiu as prisões preventivas por prisão domiciliar ou monitoramento eletrônico.

Com isso, o presidente da Câmara assumiu interinamente a Prefeitura de Turilândia, por determinação judicial.

Empresas investigadas

Segundo os autos, diversas empresas foram utilizadas para viabilizar o esquema, emitindo notas fiscais sem contraprestação real e devolvendo os valores ao núcleo político. Entre elas:

  • Posto Turi
  • Luminer Serviços
  • Climatech Refrigeração
  • SP Freitas Júnior
  • JEC Empreendimentos
  • Potencial Empreendimentos

Pessoas físicas também são investigadas.

Situação atual

Até o momento, o prefeito, a vice-prefeita, a primeira-dama, a ex-vice-prefeita, o operador financeiro e outros investigados seguem presos preventivamente em São Luís. Os vereadores cumprem medidas cautelares, como prisão domiciliar ou uso de tornozeleira eletrônica. Todos os mandados expedidos pela Justiça foram cumpridos.

Eventuais pedidos de revogação das prisões serão analisados pelo Tribunal de Justiça do Maranhão, já que as decisões foram tomadas em competência originária. O Ministério Público afirma que as investigações continuam, com análise do material apreendido, e que novas medidas não estão descartadas.

Avatar photo
Sobre o autor

O Observador Maranhense

O Observador Maranhense é o primeiro jornal digital dedicado exclusivamente à cobertura política do Maranhão, com sede em São Luís (MA). Desenvolve jornalismo profissional, publicando reportagens, colunas, vídeos, newsletters e infográficos.

Inscrever-se
Notificar de
guest
0 Comentários
mais antigos
mais recentes Mais votado
Feedbacks embutidos
Ver todos os comentários