Alvo de mandado de busca e apreensão nesta quinta-feira (18), o senador Weverton Rocha (PDT-MA) é citado em relatórios da Polícia Federal, no âmbito da Operação Sem Desconto, como um dos líderes da organização criminosa investigada por fraudar aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
A diligência foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça e integra uma nova fase da operação, conduzida pela Polícia Federal em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU). O inquérito apura um esquema nacional de descontos associativos aplicados de forma irregular sobre benefícios previdenciários.
Segundo a Polícia Federal, o senador manteve vínculos políticos e institucionais com Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, apontado como um dos principais operadores do esquema. Em relatórios encaminhados ao STF, os investigadores sustentam que o suporte político teria sido determinante para a expansão e a sustentação financeira da organização criminosa.
De acordo com a apuração, Antonio Carlos Camilo Antunes apresentava dificuldades financeiras antes de passar a atuar no esquema. Após o início das fraudes, os investigadores identificaram uma evolução patrimonial considerada incompatível com sua renda anterior. Em documento oficial, a Polícia Federal afirma que “o enriquecimento foi viabilizado por suporte político”.
As investigações também indicam que a interlocução entre o senador e o operador do esquema ocorria, em parte, por meio de pessoas de seu entorno. Um dos elementos citados é uma planilha apreendida durante a operação, intitulada “Grupo Senador Weverton”, localizada em dispositivos vinculados a investigados apontados como operadores financeiros da fraude.
Entre os nomes mencionados pela Polícia Federal está o do empresário Gustavo Marques Gaspar, ex-assessor de Weverton Rocha. Gaspar atuou no gabinete do senador entre 2019 e 2023 e é descrito pela corporação como o principal elo entre o parlamentar e o Careca do INSS. Segundo os investigadores, ele ocupou posições estratégicas que lhe garantiram acesso a ambientes institucionais e capacidade de articulação política.
A Polícia Federal sustenta que Gaspar teria atuado como agente de interface entre o esquema financeiro e o meio político, tanto no que diz respeito aos descontos associativos indevidos quanto a contratos públicos e práticas de lavagem de dinheiro. Um dos episódios citados envolve a reativação de um CNPJ que estava inativo havia cerca de dez anos, posteriormente transformado em sociedade anônima.
As apurações também apontam que Antonio Carlos Camilo Antunes teria determinado a venda de um veículo registrado em nome de Gustavo Gaspar, um Volkswagen Passat preto blindado. Conversas interceptadas mostram discussões sobre a negociação do automóvel por meio de uma concessionária de luxo em São Paulo, que também é investigada por suposta atuação na lavagem de recursos do esquema.
Antonio Carlos Camilo Antunes está preso desde 12 de setembro. Já Romeu Carvalho Antunes, seu filho, foi preso nesta quinta-feira (18), no desdobramento mais recente da operação.
A Procuradoria-Geral da República se manifestou contra a decretação de prisão preventiva do senador Weverton Rocha, entendimento que foi acolhido pelo ministro André Mendonça. Apesar da negativa à prisão, o Supremo Tribunal Federal manteve a investigação sob sua jurisdição em razão da prerrogativa de foro.
Em nota, o senador Weverton Rocha afirmou que recebeu “com surpresa” o cumprimento do mandado de busca e apreensão em sua casa e declarou que se coloca à disposição para prestar esclarecimentos assim que tiver acesso integral à decisão judicial.
