Ricardo Murad se inspira em Donald Trump para tentar retorno ao poder em Coroatá

COLUNA | DANIEL MORAES — 17/12/2025

Depois de sair com apenas 7.902 votos na eleição de 2022, quando concorreu a uma vaga de deputado estadual pelo PSC, Ricardo Murad não escondeu a decepção com o resultado inexpressivo e anunciou que deixaria a política “para caminhar em outra direção”.

“Lamento profundamente o resultado da eleição. Perdemos de maneira trágica e precisamos nos curvar à decisão do povo. De minha parte, estou deixando a política para caminhar em outra direção. Àqueles que acreditaram em mim, a minha eterna gratidão. E aos demais: espero que sejam felizes com a atitude que tomaram”, escreveu um amargurado Murad no Instagram, em publicação que depois foi apagada.

A decisão de pendurar as chuteiras, no entanto, só durou até o próximo ciclo eleitoral. Apesar de não sair candidato em 2024, o ex-secretário de Saúde do Maranhão tentou eleger a filha, Tatiana Murad, como vice-prefeita de Coroatá, em uma aliança improvável com o seu principal adversário político na região, Luís Amovelar, que indicou a sobrinha, Aryanna, como candidata a prefeita da chapa.

O resultado, mais uma vez, não saiu como o esperado. A chapa Amovelar-Murad terminou com 13.801 votos, que foram insuficientes frente aos 21.609 conquistados pelo candidato eleito Edimar Vaqueiro (PSB), ex-aliado de Ricardo.

Agora, com 2026 batendo à porta, um cada vez mais desaposentado Ricardo Murad já prepara o terreno para novas disputas eleitorais. Desta vez, espelhado em ninguém menos que o controverso presidente americano Donald Trump.

Nas últimas semanas, Murad tem compartilhado pelas redes sociais o slogan “Coroatá Grande de Novo”, inspirado no lema “Make America Great Again” (Tornar a América Grande de Novo, em tradução livre), popularizado por Trump na campanha de 2016 e usado por seus apoiadores até hoje.

A exemplo do presidente americano, Murad também estampou a sua frase em bonés e, desde então, tem compartilhado com seus seguidores obras realizadas nos períodos em que controlou a prefeitura de Coroatá.

“Na nossa gestão a prefeitura tinha eficiência e os resultados vieram em todas as áreas. (…) Ninguém pagava pra ter saúde, tinha muitos empregos e os salários sempre pagos em dia, muitos abonos para a educação e muitas e muitas obras que fizeram um Coroatá Grande”, escreveu o ex-deputado em uma das publicações.

Em uma das postagens, Ricardo Murad destacou os anos eleitorais 2026 e 2028. Foto: Reprodução.

Embora nunca tenha sido prefeito de Coroatá, Ricardo Murad exerceu grande influência na cidade nas décadas de 1990 e 2000 – período em que controlou a prefeitura por meio da mulher, Teresa, e do sobrinho, Rômulo Augusto.

Teresa Murad tomou posse como prefeita da cidade pela primeira vez em 1993, depois que Ricardo, eleito em 1992, não assumiu o cargo para não perder o mandato de deputado federal. Para suceder a esposa, Murad escolheu o sobrinho, Rômulo Augusto, que tinha 22 anos quando foi eleito, em 1996.

Em uma reportagem de dezembro de 1999, o jornal Folha de S. Paulo revelou que o prefeito Rômulo Augusto, então com 25 anos, vivia e estudava em São Paulo, a 3.488 quilômetros de distância de Coroatá.

“Há duas semanas, enquanto Rômulo andava esbaforido pelos corredores do Mackenzie para saber dos professores se havia passado de ano, seu tio, Ricardo Murad, 43, dava ordens a torto e a direito em Coroatá. Ainda ligava para o celular do prefeito para saber se ele estava tirando boas notas”, diz a reportagem intitulada “Prefeito do MA vive e estuda em S. Paulo”, assinada por Mônica Bergamo.

A matéria também informava que Rominho, como era conhecido o prefeito, estava passando férias em Coroatá e já preparava a campanha da reeleição. “Aí, sim. Vou estar formado e livre para administrar a cidade para valer”.

Em 1999, a Folha de S. Paulo revelou que Ricardo Murad administrava a cidade de Coroatá. Foto: Reprodução.

Rômulo Augusto ficou na prefeitura até 2004. Em 2012, aproveitando a posição de secretário de Saúde do governo Roseana Sarney, Ricardo Murad conseguiu eleger a esposa Teresa para um segundo mandato. Dois anos depois, também elegeu a filha, Andrea Murad, para a Assembleia Legislativa. Esta foi a última vez que o grupo liderado por Ricardo saiu vencedor das urnas.

Mas para o ex-secretário de Saúde, que um dia sonhou em ser governador, isso é um mero detalhe. No último dia 20 de novembro, Ricardo Murad compartilhou uma foto ao lado da mulher, Teresa, com quem formou a chapa vencedora de Coroatá em 1992, com a esperançosa legenda: “O nosso coração sempre está em Coroatá, terra da nossa paixão, e nunca esquecemos o caminho de casa. Estamos voltando!”.

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Sobre o autor

Daniel Moraes

Jornalista, fundador e editor-chefe do jornal digital O Observador Maranhense.

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