Projeto autoriza uso de armas de eletrochoque por mulheres para defesa pessoal no Maranhão

Por Maria Clara Monteiro | 04/12/2025

Tramita na Assembleia Legislativa um projeto de lei que estabelece diretrizes para permitir o uso de armas de incapacitação neuromuscular — conhecidas como armas de eletrochoque — por mulheres maiores de 18 anos, como instrumento de legítima defesa. A proposta, de autoria da deputada Fabiana Vilar (PL), está em análise na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJC).

O texto prevê o acesso a equipamentos não letais de até 10 joules, desde que não contenham dardos energizados e não façam parte da lista de produtos controlados pelo Exército. A venda seria limitada a uma unidade por pessoa e restrita a estabelecimentos especializados.

Regras para compra e porte

De acordo com o projeto, a aquisição só poderá ocorrer mediante apresentação de documento oficial com foto, comprovante de residência no Maranhão e certidão negativa de antecedentes criminais.
Além disso, a mulher interessada deverá comprovar:

  • capacidade técnica para o manuseio;
  • aptidão psicológica;
  • participação em instrução obrigatória sobre uso correto, efeitos da arma, contraindicações, legislação e noções de defesa pessoal.

A venda e o porte só seriam autorizados após o cumprimento dessas etapas.

Fiscalização e regulamentação

A proposta autoriza o Poder Executivo a firmar convênios com instituições públicas e privadas para executar as medidas previstas, além de incentivar parcerias com universidades para qualificação e monitoramento do modelo.

A regulamentação detalhada — incluindo procedimentos, fiscalização e critérios operacionais — poderá ser estabelecida por decreto do governo estadual.

Na justificativa, Fabiana Vilar afirma que o objetivo é oferecer um instrumento imediato de proteção em casos de agressão, principalmente em situações onde o acesso ao aparato de segurança pública é limitado.

A deputada argumenta que a medida se soma às ações previstas na Lei Maria da Penha e busca ampliar alternativas não letais de defesa pessoal. Cita ainda o aumento de denúncias de violência contra a mulher no Brasil e no Maranhão, incluindo um crescimento de 38,8% nos registros do Ligue 180 em 2024 no estado.

A parlamentar defende que garantir a possibilidade de uso controlado de armas de eletrochoque pode contribuir para preservar a integridade física das vítimas e reforçar sua autonomia em contextos de risco.

O projeto aguarda parecer da CCJC antes de seguir para as demais comissões técnicas e, posteriormente, para votação em plenário.

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Maria Clara Monteiro

Redatora, editora de vídeo e social media.

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