O deputado estadual Edson Araújo (PSB-MA) passou a usar tornozeleira eletrônica por determinação judicial no âmbito da nova fase da Operação Sem Desconto, deflagrada nesta quinta-feira (13) pela Polícia Federal em parceria com a Controladoria-Geral da União (CGU). A medida integra o conjunto de cautelares impostas ao parlamentar após o cumprimento de mandados de busca em endereço ligado a ele, em São Luís.
A Operação Sem Desconto investiga um esquema de fraudes previdenciárias, inserção de dados falsos em sistemas do INSS e movimentações financeiras consideradas atípicas por órgãos de controle. Segundo a PF, foram cumpridos 63 mandados de busca e apreensão e 10 mandados de prisão preventiva em diversos estados, incluindo o Maranhão.
Araújo é presidente licenciado da Federação das Colônias de Pescadores do Maranhão (Fecopema) e vice-presidente da Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e Aquicultura (CBPA) — entidades citadas em apurações que tratam de repasses irregulares e supostos desvios vinculados a benefícios previdenciários destinados a pescadores.
A imposição do monitoramento eletrônico ocorre em meio ao avanço das investigações sobre o chamado núcleo político do esquema. O tema foi mencionado na reunião desta quinta-feira da CPMI do INSS, que acompanha os desdobramentos da operação e aprovou a convocação de Edson Araújo para prestar depoimento no colegiado. Também foram aprovados requerimentos que autorizam a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático do deputado, além da requisição de um Relatório de Inteligência Financeira (RIF) ao Coaf.
A comissão analisa ainda a denúncia feita pelo deputado federal Duarte Júnior (PSB-MA), vice-presidente da CPMI, que afirmou ter sido ameaçado por Edson Araújo após questionar movimentações financeiras envolvendo a CBPA. Duarte registrou boletim de ocorrência na Polícia Legislativa da Câmara e solicitou proteção policial.
Com a nova fase da operação e a adoção de medidas restritivas, a CPMI deve definir nos próximos dias a data para o depoimento de Araújo. A investigação mira o fluxo financeiro de entidades do setor pesqueiro, a atuação de intermediários e a suposta participação de agentes políticos na estrutura de concessão irregular de benefícios.
