No centro de uma investigação do Gaeco, por suspeita de fraudar licitações em benefício próprio, o prefeito de Buriticupu, João Carlos (PP), apresentou um crescimento patrimonial de quase 870% em apenas quatro anos. Ao ser eleito em 2020, ele declarou ser empresário solteiro e possuir cotas em duas construtoras: Cross Construções (R$ 180 mil) e G Muniz Construtora (R$ 90 mil). Na declaração mais recente, o número saltou para R$ 3,3 milhões. A informação foi relevada pelo Intercept em 2024.
As duas empresas que constavam na primeira declaração não aparecem mais entre os bens declarados, embora a Receita Federal ainda registre o prefeito como sócio-administrador. A Cross Construções, com capital social de R$ 200 mil, está inapta desde agosto de 2024 e acumula dívida ativa de R$ 1,08 milhão, segundo dados da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN). Já a G Muniz Construtora continua ativa.
Entre os novos bens declarados por João Carlos estão um imóvel em São Luís avaliado em R$ 1,5 milhão, outro em Buriticupu de R$ 950 mil, 450 cabeças de gado nelore (R$ 675 mil), R$ 300 mil em espécie e um veículo de R$ 280 mil.
Casado com a deputada estadual Edna Silva (PRD), o prefeito tem salário bruto de pouco mais de R$ 27 mil. Buriticupu, município com 55 mil habitantes e renda média de dois salários mínimos, tem PIB per capita de R$ 10,1 mil, ocupando a 4.850ª posição entre as cidades brasileiras.
A Operação Acqua Alta, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) na última quarta-feira (5), apura suspeitas de fraude em licitações e desvio de recursos públicos em contratos que somam mais de R$ 7 milhões. Segundo o órgão, há indícios de contratação irregular da empresa Veneza Construções e Locações Eireli para execução de obras que já haviam sido concluídas na gestão anterior.
