A Polícia Civil do Piauí e o Ministério Público do Piauí deflagraram, nesta quarta-feira (5), a Operação Carbono Oculto 86, que interditou 49 postos de combustíveis em três estados — Piauí, Maranhão e Tocantins — em apuração sobre um esquema de lavagem de dinheiro estimado em R$ 5 bilhões, com ligação ao PCC, de acordo com a investigação. No Maranhão, as equipes cumpriram medidas em Caxias, Alto Alegre e São Raimundo das Mangabeiras.
Segundo a Secretaria de Segurança Pública do Piauí, o grupo teria usado empresas de fachada, fundos de investimento e fintechs para movimentar recursos, fraudado o mercado de combustíveis (com suspeita de adulteração) e recorrido a estruturas societárias para ocultar patrimônio. A Justiça determinou o sequestro de R$ 348 milhões em bens de 10 pessoas e 60 empresas.
Entre os bens apreendidos estão quatro aeronaves — Raytheon 400A, Astra SPX, C90A e Cessna 210M — e um Porsche avaliado em mais de R$ 550 mil. As aeronaves serão encaminhadas à Anac para registro de gravame. A operação também cumpriu mandados de busca em imóveis de alto padrão em Teresina e em uma residência em Araraquara (SP).
A investigação aponta que empresários locais estariam conectados a fundos e operadores já identificados na Carbono Oculto, deflagrada em agosto, considerada pelas autoridades a maior ação contra o crime organizado já realizada no país. Houve ainda remessa superior a R$ 700 mil de um dos alvos a empresa citada na fase anterior. O inquérito também indica fraude fiscal e emissão de notas frias.
O caso ganhou tração após a venda da Rede HD — com dezenas de postos no Piauí, Maranhão e Tocantins — em dezembro de 2023, para a Pima Energia e Participações, constituída seis dias antes do negócio, segundo a polícia. A apuração relata inconsistências patrimoniais e alterações societárias suspeitas.
Foram impostas medidas cautelares a Haran Santhiago Girão Sampaio e a outros cinco investigados: Danillo Coelho de Sousa, Moisés Eduardo Soares Pereira, Salatiel Soido de Araújo, Denis Alexandre Jotesso Villani e João Revoredo Mendes Cabral Filho. Eles devem comparecer ao juízo quando intimados, não podem sair de Teresina nem alterar endereço sem autorização, e estão proibidos de se comunicar entre si por qualquer meio. As defesas não foram localizadas até a última atualização.
No Maranhão, a operação teve alvos em Caxias, Alto Alegre e São Raimundo das Mangabeiras. As frentes de apuração incluem suspeitas de lavagem de dinheiro, fraude no mercado de combustíveis, adulteração, fraude fiscal e ocultação de ativos com uso de fundos e holdings.
As autoridades informaram que mais detalhes seriam apresentados em coletiva na manhã desta quarta-feira, na sede do Ministério Público do Piauí, em Teresina.
O Observador Maranhense acompanha os desdobramentos no estado e atualizará esta matéria à medida que novas informações oficiais forem divulgadas.