Em 2026, cada vereador de São Luís poderá indicar até R$ 3,9 milhões em emendas impositivas — caso o dispositivo incluído na nova LDO seja sancionado pelo prefeito Eduardo Braide. O valor previsto para o próximo ano representa um salto inédito na margem de influência orçamentária do Legislativo.
A medida faz parte de um movimento mais amplo da Câmara em busca de protagonismo na definição do orçamento público — em meio a um cenário de reacomodação das forças políticas às vésperas das eleições. Este especial do Observador Maranhense explica o que está em jogo, como funcionam as emendas e por que a disputa pelo orçamento deve ocupar o centro da cena política em 2026.
O que são emendas parlamentares?
No orçamento público, as emendas parlamentares são instrumentos por meio dos quais vereadores, deputados e senadores podem sugerir a destinação de recursos para ações específicas — como obras, serviços, repasses a instituições ou projetos em comunidades. Elas podem ser classificadas como impositivas (com execução obrigatória) ou não impositivas (de execução facultativa pelo Executivo), conforme mostra a tabela a seguir:
| Tipo de Emenda | Obrigatória? | Valor definido? | Pode ser vetada? | Exemplo |
|---|---|---|---|---|
| Não impositiva | Não | Discricionário | Sim | Pedido de reforma de escola |
| Impositiva | Sim | Até 2% da receita | Apenas por justificativa legal | Compra de ambulância via orçamento |
A nova LDO e o que muda em 2026

Receita estimada: R$ 6,1 bilhões
Emendas parlamentares: R$ 122 milhões
Valor por vereador: R$ 3.935.483,87
Valor mínimo para saúde: R$ 1.967.741,94
Importante: A emenda à LDO ainda precisa ser sancionada pelo prefeito Eduardo Braide. Ele pode vetar o dispositivo total ou parcialmente. A Câmara poderá derrubar o veto com maioria absoluta (16 votos).
Linha do tempo: como chegamos até aqui
2015 – Emenda Constitucional 86 inclui emendas impositivas na Constituição Federal.
2020 – Lei Orgânica de São Luís é atualizada com previsão de emendas impositivas.
2023 – Câmara aprova aumento do valor das emendas individuais de R$ 300 mil para R$ 600 mil. No mesmo ano, o percentual reservado às emendas impositivas é elevado de 1,2% para 2% da receita corrente líquida, ampliando o impacto orçamentário das indicações parlamentares.
2025 – LDO 2026 é aprovada com emenda prevendo execução obrigatória de até 2% do orçamento.

O impacto político das emendas impositivas
A inclusão das emendas impositivas na LDO 2026 integra um movimento mais amplo da Câmara Municipal de São Luís em busca de maior controle sobre o orçamento público. Ao assegurar a execução obrigatória de indicações parlamentares, o Legislativo tenta consolidar um papel mais ativo nas decisões sobre a destinação dos recursos da cidade — tradicionalmente concentradas no Executivo.
Esse reposicionamento tem implicações políticas diretas. Com até R$ 3,9 milhões à disposição de cada gabinete, os vereadores ganham instrumentos concretos para executar obras, financiar serviços e fortalecer suas bases eleitorais. Em um contexto eleitoral, essa capacidade de atuação reforça alianças locais, amplia a visibilidade dos mandatos e torna o Legislativo um ator mais relevante na arena política municipal.
Mais do que votar projetos ou aprovar contas, a Câmara passa a atuar também na implementação de parte do orçamento — disputando protagonismo e influência sobre as políticas públicas que chegam à população.
Próximos passos
A LDO 2026 segue agora para análise do prefeito Eduardo Braide, que pode sancionar o texto integralmente ou vetar a emenda modificativa que assegura as emendas impositivas. Em caso de veto, a decisão retorna à Câmara, que pode derrubá-lo com maioria absoluta (16 votos).
A expectativa é que a proposta da Lei Orçamentária Anual (LOA) seja enviada ao Legislativo no segundo semestre. Se a emenda for mantida, será a primeira vez que os vereadores de São Luís terão previsão expressa para executar, de forma obrigatória, quase R$ 4 milhões por gabinete.
